Um passeio cristão por Roma e Vaticano

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Um olhar desatento pode incorrer no erro de conferir igualdade visual a todo templo religioso. Essa é uma das maiores “heresias turísticas” que se pode cometer. As igrejas, catedrais, basílicas e afins resgatam a história da religião. E também são peças do quebra-cabeça que reconta a vida e a produção cultural de uma época. Não à toa, por ano, o turismo religioso movimenta 600 milhões de viagens e 330 milhões de pessoas no mundo. Boa parte desse público tem como destino a Itália, com mais precisão Roma e o Vaticano. Visitar a sede do cristianismo católico é melhor forma de compreender a singularidade das construções edificadas na fé.

Quarenta milhões de pessoas vão à Itália todos os anos para praticar turismo religioso. Os peregrinos modernos remetem a uma tradição iniciada em meados do século 2 d.C, mas que só ganhou força com a oficialização do cristianismo no Império Romano, pelo então imperador Constantino.

Ao longo dos séculos, visitar locais santos tornou-se um nicho de turismo em constante crescimento que atrai não só aqueles que buscam a renovação da fé. Há 30 anos o Conselho da Europa reconheceu a importância dos caminhos religiosos como veículos culturais primordiais.

A Itália, com suas 30 mil basílicas e igrejas, segue fazendo jus de ser o berço desse costume. Parte dessa culpa está no Vaticano. A Santa Sé atrai todos os anos quase 6 milhões de visitantes. Basta colocar os pés nos corredores do Museu do Vaticano, cheios de obras de arte dos mais renomados pintores e escultores, para entender essa multidão.

A riqueza financeira e cultural agregada ao complexo, do qual fazem parte a praça de São Pedro, Capela Sistina, necrópoles e a Basílica de São Pedro, é incalculável. A dica é apenas chegar cedo e tentar antecipar a compra dos ingressos (necessários para visitar o museu) pela internet. Furar fila desse jeito não é pecado.

Todo caso, as relíquias sagradas e endereços religiosos estão pulverizados para além das cercanias do Vaticano. Em todo o território romano, seja dentro ou fora das antigas muralhas aurelianas, há templos e monumentos a espera de peregrinos. Só de basílicas maiores papais, aquelas nas quais existem portas santas e tronos do papa, são quatro. É visitando todas, por exemplo, que se descobre que São Pedro não é a basílica oficial do Santo Padre e que não existe só uma Capela Sistina.

Uma viagem religiosa por Roma não se atém somente aos templos maiores. São 900 igrejas para percorrer, “escondendo” obras de Michelangelo, Rafael, Bernini entre outros. Vale destacar os belíssimos jardins e intringantes corredores das Catabumbas de Calixto, com 15 hectares e uma rede de galerias subterrâneas de 20km. Lá foram sepultadas 500 mil pessoas, sendo 16 papas. E ainda a Basílica de Santa Maria dos Anjos e Mártires, com sua impressionante fachada em pedras, em que parte dos tijolos tem quase 2 mil anos.

Para encontrar os sagrados tesouros perdidos atrás das impressionantes construções romanas, é preciso ter disposição e vontade de vencer os medos. Um deles é o de entrar em lugares claustrofóbicos. E se todas essas basílicas e igrejas forem pouco para você, a duas horas da capital italiana estão outras cidades referência para o turismo religiosos, como Assis.

Os peregrinos brasileiros

O Brasil é considerado estratégico para a Itália quando o assunto é turismo religioso. Isso porque tem uma população de 120 milhões de católicos. Durante as celebrações do Jubileu de Ouro da Renovação Carismática Católica (RCC), realizadas em Roma, bandeiras verde e amarela se multiplicavam. O Brasil foi responsável pela segunda maior delegação do evento, com 4,7 mil fiéis, ficando atrás apenas da própria Itália.

Por ano, para se ter uma ideia, a Obra de Maria em seu braço de turismo envia 8 mil viajantes a roteiros religiosos em todo o mundo. Desses, a metade segue para a Itália, enquanto o restante vai a Jerusalém, estima a empresa, que começou a fazer o serviço em 1993.

Dos 8 mil, 2 mil peregrinos são pernambucanos. A comunidade mantém um quadro fixo de 40 guias. Somente para o jubileu foi preciso enviar 60. Um deles foi o missionário Severino Souza Júnior, 32 anos. Guia há nove anos, ele já conheceu 22 países em peregrinações. “O desafio dessas viagens é promover um verdadeiro encontro com Deus. É impressionante, tem gente que vende comida, passa dois, três anos pagando para vir”, conta ele, cujo trabalho é voluntário.

*A repórter viajou a convite da Obra de Maria

OBS: Texto publicado originalmente no site do Diario de Pernambuco.

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