Chapada dos Veadeiros: o guia da primeira viagem

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cachoeira almacegas 1000 - catarata dos couros
Tão perto da efervescência e do protagonismo da capital federal, adormece sobre a savana de maior biodiversidade do planeta um oásis de mística e tranquilidade. Enquanto a 246 km Brasília pulsa em agonia, a Chapada dos Veadeiros pode ostentar um território de absoluta paz. Direito instituído pela privilegiada posição geográfica, em pleno cerrado de altitude, e reassegurado no começo de julho de 2017, quando a Organização Mundial das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afastou de vez o risco de a unidade de conservação perder o título de Patrimônio Mundial.

Se com os seus 65.514 hectares de área preservada a Chapada já era uma rota de ecoturismo em pleno processo de descobrimento, a ampliação da área de proteção para 240 mil hectares (fundamental para a seguridade do título), exponencia os motivos para escapar da rotina e se jogar entre as trilhas que cortam o cerrado.

Nem sempre será fácil, é preciso fôlego e perna para caminhar quilômetros adentro em busca dos paraísos escondidos entre a múltipla formação vegetal que cobre a área. Entretanto, é justamente a quase imperceptível intervenção humana, evidente apenas nas taxas de entrada das cachoeiras, que transforma Veadeiros em uma experiência única.

Seis municípios circundam a unidade de conservação. Alto Paraíso de Goiás é o mais famoso dele, com 3,5 mil leitos e uma relativa infraestrutura de comércio e serviços para o visitante. Cavalcante, Colinas do Sul, Teresina de Goiás, Nova Roma e São João da Aliança completam o circuito. As cidades são pequenas, mas podem ser ainda menores e mais inusitadas em seus distritos, a maioria deles de ruas de terra batida e com espaços para camping. A área de preservação abarca o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a Área de Proteção Ambiental estadual do Pouso Alto, 22 reservas particulares de patrimônio natural e o quilombo Kalunga.

As cidades são apenas o ponto de partida para conhecer a região, o visitante passa mais tempo mesmo entre estradas de barro e a natureza. São mais de 2 mil cachoeiras catalogadas. Umas a poucos quilômetros de veículo automotor da área urbana, outras escondidas em trilhas de mata aberta e algumas que exigem descidas em paredões de pedra íngremes e um dia inteiro de caminhada em mata fechada. A paisagem muda a cada instante e há quem diga por lá que, com um esforço da imaginação, seja possível até chegar mais perto da Lua.

cachoeira de santa bárbara

Em Veadeiros reza a lenda fundamentada na existência do paralelo 14 que humanos e extraterrestres convivem em coexistência pacífica. A linha, que também cruza Machu Picchu, no Peru, confere um astral místico à região. E de fato é difícil sair de lá sem ver um ET, nem que seja as estátuas e pinturas usadas na propaganda do turismo local. Se você der sorte, também encontrará araras e tucanos atravessando o céu.

Em três dias é possível conhecer o básico, mas o ideal é passar uma semana para desfrutar com tranquilidade de cada passeio. Se você não tiver intimidade com o turismo de aventura, pode contratar guias para percorrer as trilhas. Prepare-se o físico e a mente, mas vá de antemão sabendo que a Chapada dos Veadeiros tem muito a surpreender.

A ESTRADA

A estrada que leva até a Alto Paraíso, a GO-118, merece um destaque especial. Revitalizada para a Copa do Mundo, a rodovia mantém asfalto e sinalização impecáveis, deixando a viagem ainda mais agradável. A única preocupação deve ser atentar aos animais que podem eventualmente passar na estrada.

mapa

Fonte: arte de matéria publicada no jornal Diario de Pernambuco.

ONDE FICAR

Alto Paraíso de Goiás

É a porta de entrada mais famosa da Chapada dos Veadeiros e também onde existe a maior estrutura hoteleira e de alimentação. Está a 402 km de Goiânia e 230 km de Brasília. Aproveite para abastecer o carro rumo às estradas de barro, pegar mapas no Centro de Atendimento ao Turista, comprar alimentos orgânicos na feirinha da praça ou ainda purificar as energias adquirindo um apanhador de sonhos.

 

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1) Catarata dos Couros
Se você precisar escolher apenas um passeio em Veadeiros, vá para a Catarata dos Couros. É o mais surpreendente e diverso. O conjunto de quedas está na direção de Brasília, 20 km de asfalto distante do centro de Alto Paraíso e mais 35 km de estrada de terras sem placas e com muitas bifurcações. Couros começa com uma trilha fácil que desemboca na deslumbrante Cachoeira da Muralha. Depois avança com descidas sobre pedras e paredões, às margens do Rio dos Couros, até a uma cachoeira com 100 metros de altura.

Entrada: Está em área da União e, portanto, é um dos poucos gratuitos de Veadeiros.

parte da catarata dos couros - rio dos couros

Dica: apesar de ser gratuito, esse é um dos passeios nos quais é recomendado ir com guia. O acesso é feito por uma estrada de barro, sem sinalização e com várias bifurcações. A chance de você se perder é enorme!

São Jorge

Distrito de Alto Paraíso, São Jorge é o encontro definitivo do turista com a magia que ronda a região. Ruas são todas de barro, as hospedagens em maioria são campings e o clima é de encontro com a simplicidade. No antigo vilarejo de garimpeiros fica a entrada para o Parque Nacional e o estande onde se compra ingresso para a cachoeira do segredo.

vale da lua 2
2) Vale da Lua
Uma formação rochosa de mais de 600 milhões de anos, esculpida pela passagem da água do rio. Reza a lenda que os donos trocaram a terra por uns bois e, na época, viraram piada na região. Hoje, não aceitam menos de R$ 15 milhões pela área. O Vale da Lua tem acesso fácil, por uma trilha sinalizada de 600 metros. E três áreas para piscina, mas alguma fecham a depender da vazão da água e das chuvas.

Entrada: R$ 20

Atenção! Evite ir de chinelo e tome cuidado para não cair nas lacunas das formações rochosas.

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3) Cachoeira do Segredo
Será preciso encarar 11km em estrada de barro até o portão, passar o carro dentro do rio quatro vezes e depois andar mais 3,5km por mata fechada, cruzando as águas cinco vezes. A paisagem final compensa. A água desce de um paredão de 120 metros de altura. De tão íngreme, o sol só bate lá no mês de abril.

Entrada: R$ 25 (comprada em São Jorge)

4) Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
O parque protege uma área de 65.514 hectares do cerrado e oferece quatro atrativos, com vários níveis de dificuldade: a travessia das sete quedas, a trilha dos saltos, a trilha dos cânions e a trilha da seriema. É aberto para entrada das 8h às 12h, de terça a domingo. Em janeiro e julho, também abre segundas-feiras.

Entrada: Gratuita

Cavalcante

Dos três locais de Veadeiros que recebem o maior fluxo de turistas, Cavalcante é o mais remoto. Está a 109 km de Alto Paraíso. Nem por isso, passa despercebido. É dentro do território do município onde correm as águas transparentes e azuladas da cachoeira de Santa Bárbara, cartão-postal da chapada, e onde vive a comunidade quilombola Kalunga.

mirante da cachoeira da capivara

5) Cachoeira da Capivara
É uma visita casada a Santa Bárbara e pode ser feita antes ou depois, a depender da concentração de pessoas na primeira. De onde se deixa o carro até lá, são 800 metros de descida. A trilha é fácil e feita em mata aberta. O fim tem um precipício de águas verdes claras e várias piscinas para banho.

6) Quilombo Kalunga
Escondidas quilômetros de estradas de terra adentro, 700 pessoas residem e resistem pela força do turismo de base comunitária neste quilombo. São elas que controlam a entrada dos turistas, fazem o serviço de guia para as cachoeiras da região e oferecem um delicioso almoço preparado em fogão a lenha.

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7) Cachoeira de Santa Bárbara
Antes do mergulho, alguns segundos de contemplação. A dica é chegar entre as 11h e as 13h, quando o sol atinge a água e a deixa ainda mais clara, e evitar a aglomeração dos fins de semana.

Entrada: R$ 20, mais R$ 70 do guia (único obrigatório).

Como é a trilha até Santa Bárbara:
28km de Cavalcante até o quilombo Kalunga;
1km até o estacionamento – neste local o visitante pode deixar o carro (a estrada é cheia de buracos) e pegar um 4×4 a R$ 10 por pessoa;
4km em um carro 4×4 até o ponto final da passagem de veículos;
1km andando

ONDE COMER

comida fogão a lenha

Comida caseira
Não deixe de provar a comida feita em fogão a lenha oferecida após o passeio de Couros e também no quilombo Kalunga. Tinha um dos melhores sucos que já tomamos na vida. A refeição estava deliciosa e valia o preço pago!

Avenida Ary Valadão Filho
É onde ficam a maioria dos bares e restaurantes de Alto Paraíso. À noite, vale dar uma circulada por lá e escolhes um dos locais para entrar. A maioria oferece música ao vivo e pratos da região. A gente optou pelo bar Vinil, que tinha uma decoração bem legal e um cardápio extenso. Pedimos crepes e estavam deliciosos. Para quem gosta de cerveja, vale provar a artesanal da região – Chapadeira. Boa, apesar de cara!

O português

Sabe aquelas surpresas de viagem que você nunca mais esquece? Pronto, assim é o português. Uma dica que só um local poderia ter dado. É uma mercearia às margens da GO-118, no caminho de volta para Brasília, de um casal do Norte de Portugal. A coxinha de lá, quase sem massa, é simplesmente sensacional. Você fica querendo comer sem parar!

caminho para cachoeira de santa bárbara
Como se preparar para as trilhas na Chapada dos Veadeiros

Tome um café da manhã reforçado
Leve água e lanches, pois a maioria dos lugares não dispõe de pontos de vendas
Utilize tênis ou outro calçado fechado
Leve boné ou chapéu
Passe protetor solar e repelente
Tome a vacina de febre amarela 10 dias antes da viagem
Siga as normas das cachoeiras e instruções dos guias
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DICA DE POUSADA

Escolher onde você vai se hospedar é fundamental para definir seu roteiro pela região de Veadeiros. Nós decidimos ficar em Alto Paraíso, já que era a cidade com uma infraestrutura maior e mais próxima de Brasília, para onde teríamos que regressar. Tínhamos apenas três dias pela Chapada, o que também contou na decisão. De uma próxima vez, pretendemos passar mais tempo para explorar também outros municípios. Hospedar-se, por incrível que pareça, é barato em Veadeiros. As pousadas e mesmo os hotéis oferecem preços convidativos. Ficamos na Pousada Veadeiros e não nos decepcionamos. Perto da entrada da cidade e da avenida principal, mas longe o suficiente do burburinho, a pousada tinha um belo quintal, que dava um clima de casa para a nossa passagem por lá. Os quartos são simples, mas organizados e agradáveis. O destaque fica por conta da equipe de atendimento, sempre muito simpática e disponível a ajudar. Eles até desenrolaram guias mais baratos para a gente, na noite anterior aos passeios. No café da manhã, não deixe de provar os cookies integrais. São espetaculares.

Obs: faça a reserva pelo nosso link e não pague nada a mais por isso. Você estará ajudando na manutenção deste blog!

Obs2: matéria originalmente publicada no Diario de Pernambuco

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