São Miguel dos Milagres: o recanto da tranquilidade

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Praia de São Miguel dos Milagres

Imagina um lugar onde o celular não pega direito, wifi é praticamente inexistente e as pessoas ainda usam orelhão para se comunicar com parentes e amigos distante. Em nossa era digital é praticamente impossível acreditar que ele existe, mas assim é São Miguel dos Milagres. Um vilarejo a 94 quilômetros de Maceió, capital de Alagoas. Muitas fotos de internet já tinham alimentado a nossa curiosidade de estar lá, assim como a empolgação de alguns amigos. Tão perto do Recife, decidimos nos aventurar no período natalino de 2015 por esse pedaço de terra semideserto. Em São Miguel, o tempo corre diferente, as praias parece feitas só para você e os restaurantes/bares – além de ter um ambiente incrível – têm comidas dos deuses.

 

São Miguel dos Milagres

Travessia do Rio Manguaba

Como chegar

São Miguel dos Milagres fica entre o Recife e Maceió. Saindo da capital pernambucana, nosso caso, pegamos a BR 101 Sul, sentido Alagoas. Depois de cruzar a fronteira, é só entrar em Japaratinga e seguir direto até o Rio Manguaba. A dica é não seguir o Google Maps, que sugere contornar por Porto Calvo e Barra de Camaragibe. Esse caminho só é ideal para quem vem de Maceió. Quem sai do Recife, pode seguir de carro até o rio, onde uma balsa faz a travessia para Porto da Rua. Pagamos R$ 13 pelo transporte, que leva até seis carros de passeio por vez. São uns 10 minutos de travessia, mais o tempo de espera caso tenha fila para pegar a balsa.

 

 

São Miguel dos Milagres

Pousada Don Robledo

Onde ficamos

São Miguel é um destino de pousadas de charme, aqueles lugares clima pé na areia, com poucas hospedagens, decoração de revista e aquela vibe “Manoel Carlos Life Style”. Se comparadas a outros lugares do Brasil, elas nem cobram tão caro. Mas é possível encontrar locais honestos com preços mais acessíveis ao proletariado. Ficamos na pousada Don Robledo, localizada no vilarejo de São Miguel. O local fica há uns 300 metros da praia e é bem arrumadinho.

Os quartos são simples, mas tem varanda com rede *-*. A pousada é bem colorida e estava passando por reforma na área de lazer quando nos hospedamos. Local, inclusive, que tem um redário bem charmoso e uma piscina – adulto/infantil – grandinha. A única ressalva é quanto ao café da manhã. Em um local onde se come tão bem, café da manhã fraquinho não passa desperecebido.

 

A caminho das piscinas naturais de São Miguel

A caminho das piscinas naturais de São Miguel

O que fizemos

São Miguel dos Milagres, assim como Porto da Rua, ficam dentro da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais. Então, a grande atração de lá são as piscinas de corais e o projeto de reintegração de peixes-bois marinhos à natureza. O passeio às piscinas pode ser agendado direto nas pousadas, geralmente eles têm parceria com os barqueiros, ou na Associação  Peixe-boi, que fica na Rua Luiz Ferreira Dorta.

A nossa dica é agendar na pousada, foi R$ 30 – R$ 10 mais barato do que o oferecido no centro e que levava para duas piscinas, a de São Miguel e a do Toque. O passeio dura em média umas 1h30 e é bem incrível. A cor da água é linda, tipo paraíso mesmo. O do peixe-boi você também precisa agendar na pousada – é bom fazer isso assim que chegar, pois a visitação é de no máximo 70 pessoas diariamente.

No dia marcado, você vai até o centro, faz o cadastro, paga e encontra o guia. O IMG_3013passeio começa com uma trilha de 10 minutos, por uma área de mangue, em seguida você pega uma jangada e segue com um guia pelo Rio Tatuamunha, onde funciona o projeto de conservação da espécie. Ao longo do caminho, eles vão detalhando curiosidades sobre a espécie. O engraçado é que você para ao lado do criadouro e o guia fica tentando lhe mostrar os peixes-bois. No meu caso, demorei a encontrar um – no máximo, umas manchas marrons na água. A jangada cabe umas 12 pessoas e é movida a força humana.

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Além da associação de peixes-bois, os pescadores e barqueiros criaram mais recentemente uma nova associação, para fomentar o turismo de base comunitária da região. Ela fica na mesma estrada que a Associação do Peixe-boi, sentido Porto da Rua. Lá, eles vendem objetos feitos pelas artesãs locais e também ofertam alguns passeios, como a visitação às piscinas naturais da Praia do Patacho e também stand-up paddle – este que pode ser feito na praia ou na foz do Rio Tatuamunha.

 

Visita ao santuário dos peixes-bois

Visita ao santuário dos peixes-bois

É só parar o carro lá na associação e agendar o horário. Escolhemos a segunda opção e nos aventuramos no encontro do oceano com o rio. Para variar, a foz é praticamente deserta e de uma beleza indescritível. O passeio de stand-up paddle sai a R$ 50, a hora, mas na conversa conseguimos fazer duas pranchas por esse valor.

Onde comemos

Uma das surpresas mais agradáveis de São Miguel foi a experiência gastronômica. Saímos do Recife quase às cegas para escolher onde iríamos comer nos vilarejos, confiando apenas nas indicações do TripAdvisor. Chegamos por volta das 12h30, morrendo de fome, e pedimos uma indicação de restaurante ou bar de praia à dona da pousada. A partir dali, foi só alegria. São Miguel, assim como os vilarejos vizinhos, tem opções de restaurantes e bares desde os mais simples até os das pousadas, mais sofisticados. Segue abaixo a lista de onde fomos:

 

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Bar e restaurante peixe frito

Essa foi a indicação da dona da pousada, o penúltimo bar da faixa de areia de São Miguel. O local é bem simples e rústico, mas surpreende justamente por isso. Todo feito de madeira, ele tem uma sacada agradável para um fim de tarde. Pedimos um peixe completo (R$60), que veio acompanhado de feijão, arroz, salada, batata frita e um purê de macaxeira que, juro, uma das melhores coisas que já provei na vida.

A simpática dona do bar ainda tem uma carta de caldinhos imensa – com opção de polvo, camarão, siri, aratu, lagosta, frutos do mar, caranguejo.Gostamos tanto que voltamos no último dia de viagem

IMG_20151221_193422739Porto dos Milagres

Essa creperia foi uma indicação by TripAdvisor total. Foi um tiro no escuro que deu muito certo. O local fica no vilarejo vizinho de São Miguel, Porto da Rua, em frente ao mar. Chegamos e descobrimos logo de cara uma das características mais agradáveis da região – os restaurantes ficam praticamente exclusivos para você. Nesse, por exemplo, só tinha a gente a noite inteira.

Pedimos dois crepes salgados – bons – e dois doces – um cuja massa era de chocolate em pó, com recheio de cocada; e outro com recheio de creme de pastel de belém. Os dois estavam sensacionais. A setlist do restaurante também vale a pena ser mencionada (na nossa noite, ficou um pouco ofuscada pelo som do carro que estava na esquina, tocando swingueira). A conta inteira deu R$ 120, com os quatro crepes e sucos.

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Cokoloco

O mais perto que estivemos da vida a la Manoel Carlos durante nossa estada em São Miguel, o cocoloko é um restaurante e day use que fica na pousada recanto do patacho. O local parece ter sido tirado de qualquer revista de decoração. A pousada fica à parte do restaurante, então não temos acesso à ela. O day use funciona da seguinte maneira: R$ 50, pelo uso de cadeiras e guarda-sol na área da praia, além de acesso aos serviços do restaurante e uso da área do entorno da piscina (deck e lounges).

Em dias em que a pousada não está cheia (não foi o nosso caso), o valor também inclui o uso da piscina. O restaurante é bem rústico também, com conchas na decoração e muita madeira. Pedimos uma moqueca, acompanhada de arroz e pirão, e algumas cervejas. Tudo deu R$ 160. A refeição mais cara  da gente na região, mas valeu a pena o investimento.

Buda Bistrô

O Buda era uma unanimidade entre os usuários do TripAdvisor. O restaurante arrebata de uma forma inexplicável qualquer pessoa. É um antigo chef de uma das pousadas locais que decidiu investir no próprio negócio. Estar no Buda é estar literalmente em casa, pois o estabelecimento funciona na sala da casa do dono, inclusive os parentes dele passam algumas vezes para adentrar o imóvel. São cinco mesas e, mais uma vez, iniciamos a noite só.

Depois o local começou a encher. O cardápio é enxuto e adaptável. Não gosto de arroz, então pedi a opção de camarão com penne. Muito, muito, muito bom. Felipe pediu um filé ao molho gorgonzola que, nas palavras dele, estava no ponto como ele não encontrava um filé há tempos. Ainda pedimos uma sobremesa indicação do chefe, um creme de caju com doce de leite. Não dava nada, já que nem de caju eu gosto, mas me surpreendi de um jeito. A conta com dois pratos, cerveja e sobremesa fechou em R$ 96.

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No Quintal

Primeiro lugar da lista do TripAdvisor, o no quintal ainda assim conseguiu surpreender diante de todas as recomendações. Na área externa de uma casa de Porto da Rua, o restaurante tem um ambiente delicado e recomendadíssimo para casais. São umas oito mesas, dispostas de maneira distinta. Parte delas fica em um terraço composto por móveis antigos.

A outra mesa fica debaixo de um cercado de flores (escolhemos essa) e tem outras duas, além de um lounge, localizado no gramado. Perto deles, está localizada a horta onde os donos plantam algumas verduras e ervas para preparar as receitas. O cardápio é pequeno, mas dá vontade de pedir tudo. Escolhemos um bobó de camarão com uma farofa deliciosa. Acompanhado de uma cervejas. Em seguida, uma das melhores sobremesas da vida: petit gateau de goiabada com sorvete. O creme do bolinho estava tão maravilhoso que não dá nem para explicar. Tudo saiu por R$ 158.

Balai de Gato

Esse é um barzinho de espetinhos de propriedade de uma das pousadas locais. Fica no sentido do rio Manguaba, no vilarejo de Lajes, e só abre em alta estação. O clima praiano é aproveitado na essência no Balai. O bar tem um gramado imenso onde estão dispostos vários lounges feitos de cadeira de de praia, daquelas que dá para deitar. As mesas são baixinhas e o teto aberto. É de perder fácil a noção de tempo observando as estrelas e a lua, ao som das ondas do mar e com aquele cheiro de maresia batendo no nariz. Um das noites mais agradáveis da minha vida. O cardápio não é longo, mas composto por deliciosas caipifrutas e espetinhos. A conta deu R$ 102.

 

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Foz do Rio Tatuamunha

Nossa conclusão

São Miguel é um destino excelente para passar um fim de semana ou alguns dias a mais. É um local de fácil acesso, mas pode causar certa confusão se for depender de GPS e também pela demora da balsa. A alimentação é um elogio à parte ao local, além das excelentes praias – de águas claras, tranquilas e quase desertas. É a prova de que é possível ser feliz com pouco.

Acesso  – 8

Preço – 9

Alimentação – 10

Paisagem – 10

Hospedagem – 8

Passeios – 8

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